Logotipo da Casa de Cultura Villa Maria

A Villa


Historico

A Casa de Cultura Villa Maria é um órgão suplementar da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, que tem por finalidade o desenvolvimento da pesquisa, do ensino e da preservação de acervos e da produção e da difusão do conhecimento. Dentre suas funções compete: promover e incentivar a produção, a prática e o desenvolvimento das atividades culturais, artísticas e científicas da UENF e especialmente, promover ações destinadas à difusão do produto e produção cultural, artística e científica da Universidade, do município e da região e, manter, ampliar e preservar os acervos documentais (sonoros, audiovisuais, iconográficos, textuais e bibliográficos) e museológicos por meio de ações continuadas de aquisição, conservação, preservação, acesso e consulta pública aos bens culturais, incentivando e contribuindo com o desenvolvimento de pesquisas que tenham como objeto os acervos e bens culturais em questão;

Construída em 1918, como um presente de seu esposo, Atilano Chrisóstomo de Oliveira a Maria Queiroz de Oliveira, foi deixado por esta em testamento, na ausência de herdeiros, à primeira universidade que viesse a instalar-se na cidade de Campos dos Goytacazes. Antes disso, a Casa foi ocupada pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes no período de 1979-1982.

A Villa foi doada em testamento à primeira universidade pública que se instalasse no município. Com a criação da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro/UENF, no ano de 1993, foi doada a esta para que ali se instalasse a sua administração.

UENF

A implantação da UENF tem início com um anseio da população de Campos dos Goytacazes (RJ) que através de uma ampla mobilização da sociedade organizada conseguiu incluir na Constituição Estadual de 1989 uma emenda popular prevendo a criação de uma Universidade Pública. O movimento envolveu entidades, associações e lideranças políticas. Com um intenso esforço coletivo de sensibilização das autoridades, finalmente foi aprovada pela Assembléia Legislativa a lei de criação da UENF, sancionada pelo então governador Moreira Franco em 08/11/90, a Lei 1.740 que autorizava o Poder Executivo a criar a Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF, com sede em Campos dos Goytacazes. Em 27/02/91, o Decreto 16.357 criava a UENF e aprovava o seu Estatuto.

Cumprindo seu compromisso de campanha Leonel Brizola pôs em execução a implantação da UENF, delegando ao professor Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a implantação. Para tanto, cercou-se de pensadores e pesquisadores renomados para elaborar o projeto da UENF e apresentou-a como a ‘Universidade do Terceiro Milênio’. As marcas da originalidade e da ousadia que Darcy imprimiu a seu último grande projeto de universidade se tornaram visíveis. A UENF foi a primeira universidade brasileira onde todos os professores têm doutorado.

O primeiro vestibular para a UENF foi realizado em 3 de junho de 1993. A primeira aula no campus da UENF foi ministrada aos 16 de agosto de 1993, data afinal definida como a da implantação da Universidade. Aos 08 de dezembro de 1993 foi inaugurada a Casa de Cultura Villa Maria, instalada em um edifício de 1918, de estilo eclético. Símbolo da união umbilical da UENF com a sociedade de Campos, o casarão tinha sido deixado em testamento pela senhora Maria Queiroz de Oliveira – conhecida como D. Finazinha, falecida aos 18 de dezembro de 1970 – para ser a sede de uma futura universidade.

Em 23 de outubro de 2001, a Universidade conquista sua autonomia administrativa, separando-se da antiga mantenedora. Ao conquistar a autonomia, a instituição incorpora na prática o nome do seu fundador, passando a se chamar Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, conforme já previsto pela Lei n.o 2.786, de 15 de setembro de 1997.

Desde o princípio a Casa de Cultura Villa Maria esteve ligada à difusão da música e do cinema, desenvolvidas especialmente na Fonoteca e na Videoteca que atendia gratuitamente o público em geral, acolhendo-o no que havia de expressivo da arte cinematográfica e da música, nacional e internacional, sem perder o foco para a produção local. A CCVM acolheu também o primeiro ponto de internet gratuita na cidade de Campos dos Goytacazes.

A Fonoteca não resistiu às novas formas de acesso à música – primeiro o walkmen, logo o iPod, o mp3 e hoje os sítios especializados – e perdeu seu público. No entanto, o acervo formado ao longo destes anos, permaneceu cuidadosamente guardado, sob o olhar atento dos funcionários da casa que zelaram e ainda zelam pela sua integridade.

Nos últimos oito anos a CCVM a Casa não teve a nomeação de um diretor, permanecendo relegada das prioridades da Universidade. Neste período, sem projetos e ações destinadas aos cuidados dos acervos e sua valorização, as atividades estiveram praticamente paradas, mantendo-se apenas a manutenção cotidiana do acervo. Desde janeiro de 2016 a Casa voltou a contar com um Diretor que tem envidado esforços no sentido de conseguir novos equipamentos para o pleno desenvolvimento das competências do acervo em questão, com continuidade na atividades de reprodução digital do acervo e criação de canais de difusão. Neste sentido tem-se trabalho também na construção de uma narrativa histórica sobre o acervo e sua constituição, já que anteriormente não havia esta preocupação. Os dados com relação às doações dos fundos e coleções e da constituição mesma do acervo está em curso, embora haja muitas lacunas e muitas das doações foram pouco documentadas.

A proposição deste projeto à MoWBrasil visa justamente dar maior visibilidade a este acervo riquíssimo e ainda desconhecido dos pesquisadores, fortalecendo seu papel na região como patrimônio cultural musical.

História dos acervos

Fonoteca: Inaugurada em 8 de março de 1993, como parte da Casa de Cultura Villa Maria, a Fonoteca surge como uma iniciativa do próprio Darcy Ribeiro e de José Américo Pessanha, os idealizadores desse projeto. Inspirado pela Fonoteca do Memorial da América Latina, Darcy Ribeiro visa implantar uma Fonoteca em Campos dos Goytacazes, mas em moldes diferentes do que estava em vigor pelo país na época. Com uma proposta inovadora, seu intuito era unir lazer, estudo e pesquisa em torno da cultura musical em um único espaço.

O acervo fonográfico da Casa de Cultura Villa Maria foi constituído ao longo dos 25 anos de funcionamento da Casa de Cultura Villa Maria, constituido principalmente a partir de doações, como a de Amador Pinheiro da Silva, um dos membros fundadores do Orfeão de Santa Cecília e fundador da Rádio Cultura. Emissoras de rádio como a Rádio Atlântica e a Rádio Litoral também cederam seus respectivos acervos para a Fonoteca da Casa de Cultura Villa Maria, acreditando que o vinil já havia se tornado uma mídia defasada na década de 90 e viria a ser substituído pelo CD num futuro próximo.

Doações pessoais também compõem esse acervo fonográfico. O mesmo Darcy Ribeiro selecionou 500 fitas DAT exclusivamente de MPB para que estas fizessem parte da Fonoteca. A coleção pessoal de José Américo Pessanha também se encontra sob a guarda da Casa de Cultura Villa Maria e José Ervegisto Gomes Neto cedeu à Casa sua coleção particular de vinis, contendo dezesseis versões do Messias de Handel.

Visando a organização dos documentos sonoros que compõem esse acervo fonográfico, Vicente Marins Rangel (coordenador da Fonoteca em seus primórdios), auxiliado pela professora Vânia Ventura Barreto elaboraram um catálogo com informações sobre os 205.752 fonogramas que o constituem. Atualmente apenas 15% desses registros sonoros encontram-se digitalizados. Com a iniciativa do projeto Produção e disponibilização de registros sonoros do acervo documental fonográficos da Casa de Cultura Villa Maria – FAPERJ, desde 2016 vem-se atuando para um efetivo aumento número de fonogramas digitalizados.

Tendo em mente a rápida transformação decorrente dos inúmeros avanços tecnológicos pelos quais passou, e ainda passa, a indústria musical nos últimos 20 anos – do CD ao MP3 e do MP3 para, atualmente, o streaming – e visando a valorização, a readaptação e a divulgação desse importante patrimônio cultural o qual a Casa de Cultura Villa Maria detém guarda, elaboramos esta plataforma. Nosso intuito, acima do fomento de novas pesquisas no campo acadêmico e artístico, se apresenta também como a disponibilização do conteúdo desse acervo, associado a fruição sensorial desses registros sonoros.

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